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Utilização de cannabis medicinal na dor crónica em pacientes com cancro

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A dor crónica neuropática em pacientes com cancro é dos maiores e mais desconfortáveis efeitos secundários e dos que mais compromete a qualidade de vida. Quando estes não respondem bem ao tratamento com analgésicos opióides ou mesmo quando apresentam efeitos colaterais graves do uso de analgésicos tradicionais é necessário que surjam opções terapêuticas alternativas.

Há evidências que a cannabis medicinal tem potencial efeito no controlo da dor neste tipo de pacientes. Os estudos mais frequentes incluem o tetrahidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD), compostos estes que são frequentemente administrados por inalação, via oral, em forma de óleos ou em cápsulas de óleo, ou até mesmo sob a forma de spray.
Foram também realizados vários estudos pré-clínicos em modelos animais, para investigar o mecanismo de modulação canabinóide das vias da dor. Um dos mecanismos identificados foi a interação de THC e CBD com um dos sistemas de sinalização endógenos do organismo. Este sistema atua independentemente da via opióide para controlar a sinalização da dor, ativação imunológica e inflamação. Apesar de existirem bastantes evidências das propriedades analgésicas da cannabis medicinal, a sua eficácia ainda não foi validada por meio de estudos clínicos. [35]

Canabinoides na dor crónica não oncológica [36] [37]

A dor crónica não oncológica resulta de qualquer patologia não neoplásica que se mantém, de forma contínua ou recorrente, por três ou mais meses, e/ou que persiste para além do curso normal de uma doença aguda ou da cura da lesão que lhe deu origem.

Como já foi referido anteriormente, o Sistema endocanabinoide tem um papel importante na regulação de uma ampla gama de processos fisiológicos, entre eles o apetite, resposta ao stress, resposta imune e inflamatória, neurotransmissão e dor. Assim sendo, a manipulação deste sistema através da amplificação da sinalização endógena ou através de ligandos canabinoides exógenos tem potencial de regular a sinalização nociceptiva a vários níveis (periferia, corno posterior da medula espinhal e regiões supraespinhais associadas à dor, no cérebro). Deste modo é possível afirmar que os cannabinoides podem ser utilizaados para atenuar a dor crónica; contudo poderá existir um risco aumentado de efeitos adversos a curto prazo, sendo que não foram identificados estudos a avaliar os efeitos adversos a longo prazo.

Vantagens :

 

  • Pacientes enfatizam o 
    modo como a cannabis medicinal melhorou a sua dor crónica e otimizou a sua qualidade de vida.

  • Potencial de overdose muito modesto (nestes pacientes).

Desvantagens :

 

  • Custo. A quantia típica gasta em cannabis medicinal ultrapassa os 2000 dólares por ano.

  • Efeitos negativos (exemplo: consequências olfativas e
    respiratórias da via inalatória).

  • Imagem perante os outros, incluindo perante prestadores de cuidados de saúde.

Referências:

[35] Blake, A., Wan, B., Malek, L., DeAngelis, C., Diaz, P., Lao, N., Chow, E., & O’Hearn, S. (2017). A selective review of medical cannabis in cancer pain management. Annals Of Palliative Medicine, 6(2), S215-S222. Retrieved from https://apm.amegroups.com/article/view/16199

[36] DGS (2017). Programa Nacional para a Prevenção e Controlo da Dor. Direção Geral de Saúde. Disponível em: https://www.aped-dor.org/images/documentos/controlo_da_dor/i024433.pdf

[37] O'Brien, T. et al. (2016). European Pain Federation position paper on appropriate opioid use in chronic pain management. European Journal Of Pain, 21(1), 3-19. (PMID: 27991730)

 

Imagens:

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© 2022 by Flávia Matos, Inês Castro e Sofia Rodrigues 

Para esclarecimento de dúvidas, contacta-nos: cannabistoxicologia.8@gmail.com

Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Toxicologia Mecanística do Curso de Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP), no ano letivo 2021/2022. Este trabalho tem a responsabilidade pedagógica e científica do Prof. Doutor Fernando Remião (remiao@ff.up.pt) do Laboratório de Toxicologia da FFUP

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