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Vício em cannabis e tratamento

Indubitavelmente a cannabis é uma substância com bastante potencial para criar habituação e dependência. Um dos fatores que contribui para isto é o facto desta droga ser cada vez mais aceite na sociedade. [38]

   Os consumidores diários desta droga apresentam todos os sintomas tradicionais de um vício; não conseguem evitar consumir independentemente das consequências adjacentes.

   Quem recebe tratamento para o vício em cannabis são predominantemente indivíduos que consome  cronicamente diariamente e, na maioria dos casos aliado ao consumo de drogas mais pesadas. Existem vários centros de reabilitação para consumidores que desejam largar este vício. Por norma, quem recorre ao tratamento são pacientes que já tentaram parar por conta própria, contudo não conseguiram fazê-lo sozinhas. 
  Geralmente o tratamento para a dependência de cannabis  envolve medicação bem como terapias comportamentais. Até à data, os tratamentos comportamentais que se mostraram mais promissores foram os seguintes :

  • Terapia cognitivo-comportamental: Consiste na aprendizagem de estratégias para identificar e corrigir comportamentos problemáticos, para aumentar o autocontrolo, interromper o uso de drogas e abordar uma série de outros problemas que geralmente ocorrem.

  • Gestão de contingência: baseado no fornecimento (ou remoção) de recompensas quando o comportamento-alvo ocorre (ou não).

  • Terapia de aprimoramento motivacional: forma sistemática de intervenção com a objetivo de uma mudança rápida e motivada internamente (pelo paciente); a terapia não tenta tratar a pessoa, mas sim mobilizar seus próprios recursos internos para uma mudança comportamental.  [39]

   A pesquisa de fármacos para tratar esta dependência continua bastante ativa. Os fármacos existentes tentam atenuar os efeitos secundários, tais como os problemas de sono. Até agora podemos destacar  medicamentos em estudos iniciais ou pequenos ensaios clínicos, que incluem o sonífero zolpidem (Ambien®), um ansiolítico chamado buspirona (BuSpar®) e um medicamento antiepiléptico chamado gabapentina (Horizant®, Neurontin®) que podem melhorar o sono.
   Outros fármacos em fase de estudo incluem o suplemento nutricional N-acetilcisteína e inibidores da FAAH (amina hidrolase dos ácidos gordos), que inibem a quebra dos próprios canabinóides ainda presentes no corpo. As previsões para fármacos futuros têm vindo a incluir o estudo de moduladores alostéricos que interagem com os receptores canabinoides para inibir os efeitos recompensadores do THC.  [38]

 

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Referências:

[38] Marijuana Treatment And Rehab. Addiction Center. (2022). Retrieved May 2022, from  https://www.addictioncenter.com/drugs/marijuana/treatment/. [20/04/2022]

[39] NIDA. 2021, April 13. Available Treatments for Marijuana Use Disorders. Retrieved from https://nida.nih.gov/publications/research-reports/marijuana/available-treatments-marijuana-use-disorders on 2022, May 15

Imagens:

Imagem 1

© 2022 by Flávia Matos, Inês Castro e Sofia Rodrigues 

Para esclarecimento de dúvidas, contacta-nos: cannabistoxicologia.8@gmail.com

Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Toxicologia Mecanística do Curso de Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP), no ano letivo 2021/2022. Este trabalho tem a responsabilidade pedagógica e científica do Prof. Doutor Fernando Remião (remiao@ff.up.pt) do Laboratório de Toxicologia da FFUP

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