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TOXICODINÂMICA

Os dois recetores canabinoides conhecidos, tipo 1 (CB1R) e tipo 2 (CB2R), são recetores acoplados à proteína G com sete domínios transmembranares (GPCRs). O THC exerce o seu efeito como agonista parcial tendo, aproximadamente, a mesma afinidade para ambos. [28]

O CB1R é maioritariamente expresso no sistema nervoso central (SNC), nomeadamente no hipocampo e cerebelo, estando localizados principalmente nos terminais neuronais GABAérgicos e glutamatérgicos pré-sinápticos. [28]

Pelo contrário, a expressão de CB2R é baixa no SNC (exclusiva à microglia), mas é alta em células e tecidos imunes periféricos, não induzindo, por isso, psicoatividade. [29] Sendo assim, tem potencial terapêutico em diversas patologias, tais como, processos inflamatórios, doenças fibróticas e neurodegenerativas. [28]

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Após a ativação do CB1R, onde o THC se liga (daí a sua psicoatividade), as subunidades α e β/γ da proteína G dissociam-se; essas subunidades interagem com canais iónicos, condicionando a ação da proteína cinase A (PKA) (por inibição da síntese de adenosina monofosfato cíclica), o que leva à inibição dos canais de cálcio dependentes de voltagem, limitando a libertação de GABA e glutamato, e à ativação de canais de potássio, que diminuem a probabilidade de disparo neuronal. Para além disto, a dissociação das subunidades regula positivamente vias de MAPK / ERK reguladas por sinais extracelulares, sendo as cinases responsáveis pela mediação dos efeitos de longa duração dos canabinoides. [29]

O CBD tem uma reduzida afinidade para CB1R, daí não apresentar propriedades psicoativas como o THC. [28]

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Referências:

[28] Li, X., Hua, T., Vemuri, K., Ho, J. H., Wu, Y., Wu, L., Popov, P., Benchama, O., Zvonok, N., Locke, K., Qu, L., Han, G. W., Iyer, M. R., Cinar, R., Coffey, N. J., Wang, J., Wu, M., Katritch, V., Zhao, S., Kunos, G., … Liu, Z. J. (2019). Crystal Structure of the Human Cannabinoid Receptor CB2. Cell, 176(3), 459–467.e13. https://doi.org/10.1016/j.cell.2018.12.011

[29] Volkow, N. D., Hampson, A. J., & Baler, R. D. (2017). Don't Worry, Be Happy: Endocannabinoids and Cannabis at the Intersection of Stress and Reward. Annual review of pharmacology and toxicology, 57, 285–308. https://doi.org/10.1146/annurev-pharmtox-010716-104615

 

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© 2022 by Flávia Matos, Inês Castro e Sofia Rodrigues 

Para esclarecimento de dúvidas, contacta-nos: cannabistoxicologia.8@gmail.com

Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Toxicologia Mecanística do Curso de Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP), no ano letivo 2021/2022. Este trabalho tem a responsabilidade pedagógica e científica do Prof. Doutor Fernando Remião (remiao@ff.up.pt) do Laboratório de Toxicologia da FFUP

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