TOXICOCINÉTICA
Absorção
Após inalação, Δ9-THC é detetável no plasma em segundos e o pico de concentração plasmática é alcançado em 3-10 minutos [24] (pode alterar de acordo com a variabilidade interindividual, nomeadamente a profundidade da inalação, duração da inalação e o “sustento” da respiração) [25]. Aproximadamente 30% do THC é destruído por pirólise, sendo a biodisponibilidade sistémica do mesmo de ~23-27% para consumidores crónicos e 10-14% para consumidores ocasionais. [24]
Após ingestão, a absorção sistémica é mais lenta devido ao metabolismo hepático que diminui a biodisponibilidade oral em 4-12%, sendo o pico plasmático alcançado após 2 a 4 horas. [24]
Podemos então concluir que a cannabis inalada leva a níveis mais elevados de Δ9-THC, início de ação mais rápido e maior biodisponibilidade quando comparada com a ingestão. [25]
Distribuição
Aproximadamente 90% do THC no sangue circula em plasma e os restantes em eritrócitos e é distribuído pelo tecido adiposo, fígado, pulmão e baço. Após a distribuição, há uma redistribuição através dos depósitos de gordura de volta para a corrente sanguínea. [24]
A percentagem de ligação a proteínas plasmáticas do THC e CBD em conjunto no medicamento Sativex é superior a 97%. [27]


Metabolismo
Δ9-THC é metabolizado no fígado por hidroxilação microssomal e oxidação, catalisada por enzimas do complexo citocromo P450 (CYP) [24], em cerca de 80 metabolitos humanos, principalmente por CYP2C9, -2C19 e -3A4. [25]
Excreção
Grande parte é excretado pelas fezes (30-65%), enquanto que a eliminação hepática e renal é responsável por cerca de 20%. [26] Isto ocorre em cerca de 5 dias. [24]
Δ9-THC é excretado na forma de metabolitos conjugados com ácidos glucurónicos e de THC livres hidroxilados. [26]
Referências:
[24] Sharma, P., Murthy, P., & Bharath, M. M. (2012). Chemistry, metabolism, and toxicology of cannabis: clinical implications. Iranian journal of psychiatry, 7(4), 149–156.
[25] Foster, B. C., Abramovici, H., & Harris, C. S. (2019). Cannabis and Cannabinoids: Kinetics and Interactions. The American journal of medicine, 132(11), 1266–1270. https://doi.org/10.1016/j.amjmed.2019.05.017
[26] Jamwal, R., Topletz, A. R., Ramratnam, B., & Akhlaghi, F. (2017). Ultra-high performance liquid chromatography tandem mass-spectrometry for simple and simultaneous quantification of cannabinoids. Journal of chromatography. B, Analytical technologies in the biomedical and life sciences, 1048, 10–18. https://doi.org/10.1016/j.jchromb.2017.02.007
[27] Kocis, P. T., & Vrana, K. E. (2020). Delta-9-Tetrahydrocannabinol and Cannabidiol Drug-Drug Interactions. Medical cannabis and cannabinoids, 3(1), 61–73. https://doi.org/10.1159/000507998
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