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O impacto do THC no desenvolvimento neuronal do ponto de vista da epigenética [30][31] 

Sub-região pré-límbica do cortéx pré-frontal ventromedial nos roedores:

  • função cognitiva; 

  • tomada de decisões;

  • regulação emocional.

  

medeia

importante nos circuitos mesolímbico e cortical

A rutura desses circuitos está na base da etiologia de múltiplas doenças psiquiátricas em humanos.

      Um estudo demonstrou que a exposição ao THC durante a adolescência em ratos interrompe o desenvolvimento cortical normal com remodelação estrutural de neurónios piramidais pré-límbicos, refletida em divisões prematuras a nível da medula espinal, e atrofia prolongada de apical distal.
      Isto permite-nos concluir que em adolescentes, a exposição ao THC reduz a complexidade dos neurónios piramidais, que pode atenuar prematuramente a capacidade de plasticidade em circuitos neuronais centrais, com consequente impacto no comportamento adulto normal. 
   Os impactos a longo prazo da exposição pré-natal e durante a adolescência ao THC no cérebro e a níveis comportamentais na fase adulta sugerem fortemente uma contribuição de processos epigenéticos. Estes processos modulam a expressão genética sem alterar o código genético e são aspetos fundamentais na memória molecular. Modificações epigenéticas incluem metilação do DNA, modificações pós tradução nas histonas, mudanças na acessibilidade estrutural a regiões específicas da cromatina e reposicionamento dos nucleossomas, substituição de histonas, e influência de  pequenas moléculas de RNA na produção de proteínas.

     Em suma, foram detetadas várias evidências de que a exposição pré-natal, perinatal e adolescente à cannabis pode induzir uma ampla gama de doenças cerebrais e alterações comportamentais na vida adulta. Isto deve-se ao facto de existirem interferências em múltiplos sistemas neurobiológicos em regiões do cérebro envolvidas em transtornos psicóticos/afetivos. 
 

 

O risco do consumo de cannabis resulta em transtornos psiquiátricos e o uso de substâncias depende de vários fatores, como genética, género e condições ambientais, que serão melhor compreendidos à medida que as pesquisas continuarem a evoluir.

Referências :

[30] Hurd, Y. L., Manzoni, O. J., Pletnikov, M. V., Lee, F. S., Bhattacharyya, S., & Melis, M. (2019). Cannabis and the Developing Brain: Insights into Its Long-Lasting Effects. The Journal of neuroscience : the official journal of the Society for Neuroscience, 39(42), 8250–8258. https://doi.org/10.1523/JNEUROSCI.1165-19.2019

[31] Bara, A., Ferland, J. N., Rompala, G., Szutorisz, H., & Hurd, Y. L. (2021). Cannabis and synaptic reprogramming of the developing brain. Nature reviews. Neuroscience, 22(7), 423–438. https://doi.org/10.1038/s41583-021-00465-5

© 2022 by Flávia Matos, Inês Castro e Sofia Rodrigues 

Para esclarecimento de dúvidas, contacta-nos: cannabistoxicologia.8@gmail.com

Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Toxicologia Mecanística do Curso de Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP), no ano letivo 2021/2022. Este trabalho tem a responsabilidade pedagógica e científica do Prof. Doutor Fernando Remião (remiao@ff.up.pt) do Laboratório de Toxicologia da FFUP

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