Contaminantes [22][23]
Os contaminantes que acompanham a cannabis não podem ser descurados na avaliação de risco já que apresentam um potencial de toxicidade considerável com consequências apreciáveis. Este tema revela uma importância ainda maior para utilizadores de cannabis medicinal uma vez que a saúde destes indivíduos já se encontra comprometida.
Um estudo realizado na Austrália verificou que 28% das pessoas considera que existe um risco superior para a saúde no consumo de cannabis plantada em estufa em comparação com a de crescimento selvagem.
De facto, a ideia de que a cannabis é um produto “natural” e, por isso, mais seguro é ainda muito prevalente apesar de não constituir de todo a realidade.
Contaminantes do cultivo e armazenamento
Os principais contaminantes são bactérias e fungos.
Um estudo verificou que 13 em cada 14 amostras de cannabis apresentava fungos e que a maioria dos fumadores desta planta apresentava evidência de contaminação por Aspergillus spp.
Um outro estudo verificou a presença de contaminação fúngica e bacteriológica em todas as 24 amostras avaliadas, sendo, mais uma vez, a contaminação por Aspergillus spp. a mais comum. Verificou-se também que aproximadamente metade dos fumadores de cannabis apresentavam anticorpos contra Aspergillus fumigatus e 6 dos indivíduos já demonstravam dificuldades respiratórias.
Um estudo mais recente evidenciou a presença de bolor provocado essencialmente pelas espécies Penicillium spp.
Outro estudo inclusivamente demonstrou que a cannabis comercializada em "coffee shops” holandesas apresentava níveis de bactérias e fungos inseguros para a ingestão.
Assim, a proliferação fúngica é responsável por doenças como a aspergilose, assim como pela presença de micotoxinas que são carcinogénicas.
Sugere-se que a esterilização através de calor (150ºC) por 5 min é capaz de eliminar este tipo de contaminação biológica, incluindo os esporos mais resistentes.
A contaminação por metais pesados, apesar de não tão frequente, pode trazer também consequências graves para a saúde dos indivíduos. Normalmente, está circunscrita aos solos contaminados e onde é plantada a cannabis sendo capaz de apresentar toxicidade para o Homem mas não para a planta.


Contaminantes: pesticidas e fertilizantes

A utilização de pesticidas acarreta sempre o risco de consumo por parte dos utilizadores. Apesar disso, existem regras rigorosas no que toca aos pesticidas e fertilizantes que podem ser usados e em que concentrações. Na maioria dos países a cannabis é ainda ilegal pelo que essas regras não se aplicam à sua produção.
De facto, verificou-se que pesticidas como os organofosforados e carbamatos estão associados a toxicidade mitocondrial que, por sua vez, está ligada a doenças como a epilepsia. Observou-se ainda para os organofosforados que, quando administrados juntamente com canabinoides, provocam toxicidade neuronal durante períodos cruciais como o desenvolvimento.
Contaminantes adicionados posteriormente
Existem substâncias adicionadas no momento de comercialização com o objetivo de tornar o produto maior e mais apelativo, mas que podem, no entanto, apresentar potencial de toxicidade.
De facto, já foram até reportados casos onde foram adicionados pequenos pedaços de vidro à planta com o objetivo de aumentar o volume e imitar a aparência cristalina das glândulas de resina. Como consequência os utilizadores relataram sintomas como: dores e úlceras na boca, tosse persistente e aperto no peito.
Existem ainda outras substâncias comumente adicionadas à cannabis como o tabaco e fenciclidina.
Referências:
[22] McLaren, J., Swift, W., Dillon, P., & Allsop, S. (2008). Cannabis potency and contamination: a review of the literature. Addiction (Abingdon, England), 103(7), 1100–1109. https://doi.org/10.1111/j.1360-0443.2008.02230.x
[23] Pinkhasova, D. V., Jameson, L. E., Conrow, K. D., Simeone, M. P., Davis, A. P., Wiegers, T. C., Mattingly, C. J., & Leung, M. (2021). Regulatory Status of Pesticide Residues in Cannabis: Implications to Medical Use in Neurological Diseases. Current research in toxicology, 2, 140–148. https://doi.org/10.1016/j.crtox.2021.02.007
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